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Atualizado terça às 16:55
Instalada Frente Parlamentar Contra os Pedágios no RS
Deputados de diversos partidos compõem a frente

Em ato realizado no Salão Júlio de Castilhos do Palácio Farroupilha, foi instalada, no início da tarde desta terça-feira, 1º de abril, na Assembleia Legislativa, a Frente Parlamentar contra os pedágios dentro do Programa de Concessões Rodoviárias do Rio Grande do Sul. A formação do Grupo é uma iniciativa do deputado Paparico Bacchi (PL).
Conforme o deputado Paparico Bacchi (PL), o Grupo, formado por 23 deputados, está se propondo a resistir ao pedágio das rodovias gaúchas e as consequências econômicas de sua adoção. "Estamos muito preocupados com a economia do RS. Nosso estado apresenta séria dificuldade no âmbito da competitividade, especialmente na cadeia da proteína animal, que será duramente castigada com o pedágio das rodovias do Bloco 2", sinalizou.
Na solenidade, Paparico disse que a Frente busca convencer o Governo do Estado da gravidade da instalação das praças de pedágios completamente incompatível com o que está vivendo a população gaúcha. "Queremos sensibilizar o Governo para que não haja pedágio, que o Governo mude o foco sobre esta questão e que coloque os recursos de 1,3 bilhão de reais do Funrigs para o melhoramento das rodovias, sem pedágio", apontou.
O parlamentar admitiu que a Frente pode ingressar em juízo, caso o Governo insista em colocar no pregão o Bloco 2 de concessões. "Este seria o último remédio que temos em nossas mãos", ressaltou.
O chamado bloco 2 inclui 32 municípios gaúchos da região Norte e do Vale do Taquari, com um total de 414,91 quilômetros de extensão e contemplando sete rodovias (ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324, RSC-453 e BR-470). O edital prevê a criação de 24 praças de pedágio nessas sete rodovias, com valores que vão de R$ 5,29, o mais caro, a R$ 2,08, o mais barato.
Em sua fala, a deputada Sofia Cavedon (PT) salientou que infelizmente os Governos tomam decisões, como o pedagiamento e outras privatizações, que impactam a população, sem ouví-la. A deputada lembrou que a Assembleia vai fazer audiências sobre o tema em diversas regiões do estado para ouvir majoritariamente a população.
Por sua vez, o deputado Felipe Camozzato (Novo) apresentou uma série de erros fundamentais no projeto de concessão do Bloco 2. Entre estes, o deputado destacou a falta de critérios técnicos sobre o fluxo de veículos nos locais que terão duplicação ou terceira via. "Por exemplo, o projeto de 14 pontes que serão destruídas para posteriormente serem construídas, o que é um desperdício de recursos", contou.
Já o deputado Halley Lino (PT) afirmou que sua região Sul sofre com uma doença chamada pedágio. "Estamos ao lado dos trabalhadores e do povo gritando contra o pedagiamento. Além de apoiar a Frente, a Bancada do PT está apresentando um projeto de lei acabando com a farra do Governador. A voz da população deve ser ouvida", sustentou.
Para o deputado Adão Pretto Filho (PT), a Frente Parlamentar tem uma importância muito grande, já que é uma demanda da população do RS. "Só no Bloco 2 são 24 praças de pedágios, o que na minha opinião é uma irresponsabilidade do Governo do Estado, porque isso acaba com o sonho de desenvolvimento de várias regiões gaúchas.", ilustrou.
Também representante da região Sul, o deputado Zé Nunes (PT) disse que pode falar "de cadeira" da situação do excessivo pedagiamento das rodovias. "Nós sabemos o que a população da região sofreu e sofre com a concessão hoje gerida pela Ecosul. Um verdadeiro drama. Hoje se gasta mais de pedágio do que de combustível para se percorrer 150 quilômetros. Um pedágio não pode ser um peso para sua região.", desabafou.
Também se manifestaram os prefeito de Casca, Jurandir Perin; o vice-prefeito de Sertão, Fernando Luiz de Souza; o vereador de Nova Prata Felipe Paese; o presidente do CDL de Getúlio Vargas, Evandir Cecílio; presidente da Associação Industrial, Comercial e Agrícola de Getúlio Vargas, Roberto Paulo Galina; o representante do Movimento Pedágio Não Fernando da Silva Santos; a produtora rural Luciane Renata Agazzi e o representante dos transportadores autônomos, Ivaldo Friguetto.